Segunda-feira, 14 Junho, 2021
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O caminho, lugar do Evangelho

«O anúncio do Reino de Deus por parte de Jesus reencontra o seu lugar mais apropriado no caminho. O caminho coloca a missão da Igreja sob o sinal do “ir”, do “movimento” e nunca da imobilidade.»

O Evangelho deste domingo continua a descrição de um dia de Jesus em Cafarnaum, um sábado, festa semanal para os judeus (cf. Mc 1,21-39). Desta vez o Evangelista Marcos põe em relevo a relação entre a atividade taumaturga de Jesus e o despertar da fé nas pessoas que encontra. De facto, com os sinais de cura que realiza para os doentes de todos os tipos, o Senhor quer suscitar a fé como resposta.

O dia de Jesus em Cafarnaum começa com a cena do povo da cidade inteira que se concentra diante da casa onde Ele estava alojado, para lhe levar todos os doentes. A multidão, marcada por sofrimentos físicos e por misérias espirituais, constitui, por assim dizer, “o ambiente vital” no qual se realiza a missão de Jesus, feita de palavras e de gestos que curam e confortam. Jesus não veio trazer a salvação a um laboratório; não faz pregações de laboratório, afastado das pessoas: está no meio da multidão! No meio do povo! Pensai que a maior parte da vida pública de Jesus foi vivida na rua, entre as pessoas, para pregar o Evangelho, para curar as feridas físicas e espirituais. É uma humanidade sulcada por sofrimentos, esta multidão, da qual o Evangelho fala tantas vezes. É uma humanidade sulcada por sofrimentos, fadigas e problemas: é a esta humanidade pobre que se destina a ação poderosa, libertadora e renovadora de Jesus. Assim, no meio da multidão até noite funda, conclui-se aquele sábado. E o que faz depois, Jesus?

Antes da alvorada do dia seguinte, Ele, sem ser visto, sai pela porta da cidade e retira-se num lugar apartado para rezar. Jesus reza. Desta maneira subtrai também a sua pessoa e a sua missão a uma visão triunfalista, que interpreta mal o sentido dos milagres e do seu poder carismático. Com efeito, os milagres são “sinais”, que convidam à resposta da fé; sinais que estão sempre acompanhados pelas palavras, que os iluminam; e juntos, sinais e palavras, suscitam a fé e a conversão mediante a força divina da graça de Cristo.

A conclusão do excerto de hoje (vv. 35-39) indica que o anúncio do Reino de Deus por parte de Jesus reencontra o seu lugar mais apropriado no caminho. Aos discípulos que o procuram para o reconduzir à cidade — os discípulos foram ter com Ele onde rezava e queriam que voltasse para a cidade — o que responde Jesus? «Vamos às aldeias vizinhas, para que eu ali também pregue» (v. 38). Foi este o caminho do Filho de Deus e será este o caminho dos seus discípulos. E deverá ser o caminho de cada cristão. O caminho, como lugar da boa nova do Evangelho, coloca a missão da Igreja sob o sinal do “ir”, do caminho, sob o sinal do “movimento” e nunca da imobilidade.

A Virgem Maria nos ajude a ser abertos à voz do Espírito Santo, que estimula a Igreja a armar cada vez mais a sua tenda no meio das pessoas para levar a todos a palavra restabelecedora de Jesus, médico das almas e dos corpos.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 4 de fevereiro de 2018

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