Segunda-feira, 14 Junho, 2021
Inicio Boletim Fala o Papa Se quiseres, podes purificar-me!

Se quiseres, podes purificar-me!

«Não se entende a obra de Cristo, não se compreende o próprio Cristo, se não se entra no seu Coração cheio de compaixão e de misericórdia»

Nestes domingos o Evangelho, segundo a narração de Marcos, apresenta-nos Jesus que cura os doentes de todos os tipos. Em tal contexto insere-se bem o Dia Mundial do Doente, que se celebra a 11 de fevereiro, memória da Bem-Aventurada Virgem Maria de Lurdes. Por isso, com o olhar do coração voltado para a gruta de Massabielle, contemplemos Jesus como verdadeiro médico dos corpos e das almas, que Deus Pai enviou ao mundo para curar a humanidade, marcada pelo pecado e pelas suas consequências.

A hodierna página evangélica (cf. Mc 1,40-45) apresenta-nos a cura de um homem doente de lepra, uma patologia que no Antigo Testamento era considerada uma grave impureza e comportava a separação do leproso da comunidade: eles viviam sozinhos. A sua condição era verdadeiramente penosa, porque a mentalidade dessa época o levava a sentir-se impuro até diante de Deus, não só perante os homens. Até diante de Deus! Por isso, o leproso do Evangelho suplica a Jesus com estas palavras: «Se quiseres, podes purificar-me!» (v. 40).

Ao ouvir isto, Jesus sente compaixão (cf. v. 41). É muito importante prestar atenção a esta ressonância interior de Jesus, como fizemos prolongadamente, durante o Jubileu da Misericórdia. Não se entende a obra de Cristo, não se compreende o próprio Cristo, se não se entra no seu Coração cheio de compaixão e de misericórdia. É ela que o impele a estender a mão àquele homem doente de lepra, a tocá-lo e a dizer-lhe: «Eu quero, fica curado!» (v. 40). O facto mais surpreendente é que Jesus toca o leproso, porque isto era absolutamente proibido pela lei mosaica. Tocar um leproso significava ser contagiado inclusive interiormente, no espírito, ou seja, tornar-se impuro. Mas neste caso o influxo não passa do leproso para Jesus, transmitindo o contágio, mas de Jesus para o leproso, concedendo-lhe a purificação. Nesta cura nós admiramos, além da compaixão, da misericórdia, também a audácia de Jesus, que não se preocupa nem com o contágio, nem com as prescrições, mas é movido unicamente pela vontade de libertar aquele homem da maldição que o oprime.

Irmãos e irmãs, nenhuma enfermidade é causa de impureza: a doença certamente abrange a pessoa inteira, mas de modo algum atinge ou impede a sua relação com Deus. Aliás, uma pessoa doente pode estar ainda mais unida a Deus. Pelo contrário, é o pecado que nos torna impuros! O egoísmo, a soberba, o entrar no mundo da corrupção, são estas as enfermidades do coração das quais é preciso ser-se purificado, dirigindo-se a Jesus como o leproso: «Se quiseres, podes purificar-me!».

E agora, guardemos um instante de silêncio, e cada um de nós — todos vós, eu, todos — pode pensar no seu coração, olhar para dentro de si mesmo e ver as suas impurezas, os seus pecados. E cada um de nós, em silêncio, mas com a voz do coração, diga a Jesus: “Se quiseres, podes purificar-me!”. Façamo-lo todos, em silêncio.

“Se quiseres, podes purificar-me!”

“Se quiseres, podes purificar-me!”

E cada vez que nos aproximamos do sacramento da Reconciliação com o coração arrependido, o Senhor repete-nos também a nós: «Eu quero, fica curado!» Quanta alegria há nisto! Assim a lepra do pecado desaparece, voltamos a viver com júbilo a nossa relação filial com Deus e somos readmitidos plenamente na comunidade.

Por intercessão da Virgem Maria, nossa Mãe Imaculada, peçamos ao Senhor, o qual trouxe a saúde aos doentes, que cure também as nossas feridas interiores com a sua misericórdia infinita, para nos restituir deste modo a esperança e a paz do coração.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 11 de fevereiro de 2018

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

MAIS RECENTES

XI Domingo do Tempo Comum

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos A menor de todas as sementes torna-se a maior de todas as plantas da horta (Mc 4,26-34) Naquele...

Deus salva sempre

«Nos momentos de escuridão e de dificuldade não devemos desanimar, mas permanecer ancorados na fidelidade de Deus, na sua presença que salva sempre. Recordai-vos...

X Domingo do Tempo Comum

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos Satanás está perdido (Mc 3,20-35) Naquele tempo, Jesus chegou a casa com os seus discípulos. E de novo acorreu tanta...

Filhos de Deus, irmãos por Jesus

«Todos aqueles que acolherem a palavra de Jesus são filhos de Deus e irmãos entre si» O Evangelho deste domingo (cf. Mc 3,20-35) mostra-nos dois tipos...

ARQUIVO

ARQUIVO (ÚLTIMOS NÚMEROS)