Domingo, 7 Março, 2021
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Se quiseres, podes purificar-me!

«Não se entende a obra de Cristo, não se compreende o próprio Cristo, se não se entra no seu Coração cheio de compaixão e de misericórdia»

Nestes domingos o Evangelho, segundo a narração de Marcos, apresenta-nos Jesus que cura os doentes de todos os tipos. Em tal contexto insere-se bem o Dia Mundial do Doente, que se celebra a 11 de fevereiro, memória da Bem-Aventurada Virgem Maria de Lurdes. Por isso, com o olhar do coração voltado para a gruta de Massabielle, contemplemos Jesus como verdadeiro médico dos corpos e das almas, que Deus Pai enviou ao mundo para curar a humanidade, marcada pelo pecado e pelas suas consequências.

A hodierna página evangélica (cf. Mc 1,40-45) apresenta-nos a cura de um homem doente de lepra, uma patologia que no Antigo Testamento era considerada uma grave impureza e comportava a separação do leproso da comunidade: eles viviam sozinhos. A sua condição era verdadeiramente penosa, porque a mentalidade dessa época o levava a sentir-se impuro até diante de Deus, não só perante os homens. Até diante de Deus! Por isso, o leproso do Evangelho suplica a Jesus com estas palavras: «Se quiseres, podes purificar-me!» (v. 40).

Ao ouvir isto, Jesus sente compaixão (cf. v. 41). É muito importante prestar atenção a esta ressonância interior de Jesus, como fizemos prolongadamente, durante o Jubileu da Misericórdia. Não se entende a obra de Cristo, não se compreende o próprio Cristo, se não se entra no seu Coração cheio de compaixão e de misericórdia. É ela que o impele a estender a mão àquele homem doente de lepra, a tocá-lo e a dizer-lhe: «Eu quero, fica curado!» (v. 40). O facto mais surpreendente é que Jesus toca o leproso, porque isto era absolutamente proibido pela lei mosaica. Tocar um leproso significava ser contagiado inclusive interiormente, no espírito, ou seja, tornar-se impuro. Mas neste caso o influxo não passa do leproso para Jesus, transmitindo o contágio, mas de Jesus para o leproso, concedendo-lhe a purificação. Nesta cura nós admiramos, além da compaixão, da misericórdia, também a audácia de Jesus, que não se preocupa nem com o contágio, nem com as prescrições, mas é movido unicamente pela vontade de libertar aquele homem da maldição que o oprime.

Irmãos e irmãs, nenhuma enfermidade é causa de impureza: a doença certamente abrange a pessoa inteira, mas de modo algum atinge ou impede a sua relação com Deus. Aliás, uma pessoa doente pode estar ainda mais unida a Deus. Pelo contrário, é o pecado que nos torna impuros! O egoísmo, a soberba, o entrar no mundo da corrupção, são estas as enfermidades do coração das quais é preciso ser-se purificado, dirigindo-se a Jesus como o leproso: «Se quiseres, podes purificar-me!».

E agora, guardemos um instante de silêncio, e cada um de nós — todos vós, eu, todos — pode pensar no seu coração, olhar para dentro de si mesmo e ver as suas impurezas, os seus pecados. E cada um de nós, em silêncio, mas com a voz do coração, diga a Jesus: “Se quiseres, podes purificar-me!”. Façamo-lo todos, em silêncio.

“Se quiseres, podes purificar-me!”

“Se quiseres, podes purificar-me!”

E cada vez que nos aproximamos do sacramento da Reconciliação com o coração arrependido, o Senhor repete-nos também a nós: «Eu quero, fica curado!» Quanta alegria há nisto! Assim a lepra do pecado desaparece, voltamos a viver com júbilo a nossa relação filial com Deus e somos readmitidos plenamente na comunidade.

Por intercessão da Virgem Maria, nossa Mãe Imaculada, peçamos ao Senhor, o qual trouxe a saúde aos doentes, que cure também as nossas feridas interiores com a sua misericórdia infinita, para nos restituir deste modo a esperança e a paz do coração.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 11 de fevereiro de 2018

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