Segunda-feira, 19 Abril, 2021
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Transfiguração, mistério de padecimento e dom de amor infinito

«A Transfiguração ajuda os discípulos, e
também a nós, a entender que a paixão de Cristo
é um mistério de padecimento, mas é sobretudo um dom de amor, de amor infinito por parte de Jesus»

O Evangelho de hoje, segundo Domingo de Quaresma, convida-nos a contemplar a Transfiguração de Jesus (cf. Mc 9,2-10). Este episódio deve ser relacionado com o que aconteceu seis dias antes, quando Jesus tinha revelado aos seus discípulos que em Jerusalém deveria «padecer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas, e morrer, mas ressuscitar depois de três dias» (Mc 8,31). Este anúncio tinha posto em crise Pedro e todo o grupo dos discípulos, os quais recusavam a ideia de que Jesus fosse rejeitado pelos chefes do povo e depois morto. Com efeito, eles esperavam um Messias poderoso, forte e dominador; ao contrário, Jesus apresenta-se humilde e manso, Servo de Deus e dos homens, que deverá oferecer a sua vida em sacrifício, passando através do caminho da perseguição, do sofrimento e da morte. Mas como poder seguir um Mestre e Messias, cuja vicissitude terrena se teria concluído daquele modo? Assim pensavam eles. E a resposta chega precisamente da Transfiguração. Em que consiste a Transfiguração de Jesus? É uma aparição pascal antecipada.

Jesus tomou consigo os três discípulos, Pedro, Tiago e João, e «conduziu-os para um alto monte» (Mc 9,2); e ali, por um momento, mostrou-lhes a sua glória, a glória do Filho de Deus. Assim, este acontecimento da Transfiguração permite que os discípulos enfrentem a paixão de Jesus de maneira positiva, sem ser arrebatados. Viram-no como Ele será depois da paixão, glorioso. É assim que Jesus os prepara para a provação. A Transfiguração ajuda os discípulos, e também a nós, a entender que a paixão de Cristo é um mistério de padecimento, mas é sobretudo um dom de amor, de amor infinito por parte de Jesus. O acontecimento de Jesus que se transfigura no monte leva-nos a compreender melhor, inclusive, a sua Ressurreição. Para entender o mistério da cruz, é necessário saber antecipadamente que Aquele que sofre e é glorificado não é apenas um homem, mas é o Filho de Deus, que nos salvou com o seu amor fiel até à morte. É assim que o Pai renova a sua declaração messiânica sobre o Filho, já feita nas margens do Jordão, depois do batismo, exortando: «Escutai-o!» (v. 7). Os discípulos são chamados a seguir o Mestre com confiança e esperança, não obstante a sua morte; a divindade de Jesus deve manifestar-se precisamente na cruz, exatamente no seu morrer «daquele modo», a ponto que aqui o evangelista Marcos põe nos lábios do centurião esta profissão de fé: «Este homem era realmente o Filho de Deus!» (15,39).

Dirijamo-nos agora em oração à Virgem Maria, a criatura humana transfigurada interiormente pela graça de Cristo. Recomendemo-nos confiantes à sua ajuda maternal para prosseguir com fé e generosidade o caminho da Quaresma.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 25 de fevereiro de 2018

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