Segunda-feira, 19 Abril, 2021
Inicio Artigos Nova Época Transformar a pandemia numa caminhada de esperança e mudança de vida (3)

Transformar a pandemia numa caminhada de esperança e mudança de vida (3)

Caros leitores, mais uma vez aqui estou a escrever-vos [NR: artigos anteriores desta série aqui e aqui]. E se escrevo é porque me impele a força da Palavra de Deus, que me leva a não guardar para mim as maravilhas que o Senhor nos revela quando lemos e meditamos a BÍBLIA. É extraordinário verificar como o Senhor nos fala através dela ainda hoje.

Trata-se de uma caminhada que vale a pena fazer, reparando como a mesma leitura feita em tempos diferentes nos dá uma luz conforme o Espírito Santo entende que nos deve conduzir na hora precisa em que nos debruçamos com fé sobre a Sagrada Escritura. O que perdemos por não fazermos um estudo sério da Palavra de Deus! Não nos esqueçamos que Ele é a única fonte de onde podemos beber a água viva que mata as nossas sedes… e como andamos sedentos!

No Antigo Testamento, o Povo de Deus depressa esquecia os milagres e maravilhas que Deus fazia em seu favor. Escravos no Egipto, Deus os libertou abrindo o Mar Vermelho para que se tornasse caminho de libertação. Isto é só um exemplo entre tantos prodígios que Deus realizou a favor do seu Povo. Mas este Povo, tal como nós hoje, esquecia-se dos benefícios e só via os problemas que iam surgindo e os sacrifícios que era necessário fazer para chegar à Terra Prometida… e lá regressava a tentação dos falsos deuses que o Verdadeiro Deus abominava.

Quando Moisés morreu, ficou Josué à frente do povo e fez-lhe relembrar tudo o que se tinha passado. “Se vos desagrada servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses a quem vossos pais serviram no outro lado do rio ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor” (Js 23,15).

Convido os meus leitores a fazer uma leitura do livro de Josué, pois é impossível transcrever aqui tudo em pormenor. Mas recuperemos a sua pergunta, endereçando-a agora a cada um de nós.

A quem queremos servir, ao Senhor ou ao nosso comodismo? Todos nós sabemos o que custa servir ao Senhor e renunciar ao que mais nos agrada. Não sei o que pensais, mas eu, sinceramente, confesso que estou longe, embora diga que sim com a boca… E o coração? E a vontade? E as mil e uma tentações? Mais tarde, a mesma pergunta é dirigida a todos os Apóstolos. E a resposta cabe a Simão Pedro: «Jesus disse aos Doze: ‘Vós também quereis ir embora?’ Simão Pedro respondeu: ‘A quem iremos, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna.’» (Jo 6,67-68). Até hoje os cristãos e a Igreja repetem a mesma palavra de Pedro.

Agora vou citar o Papa Francisco: “Mas não tenho ídolos em casa. Não tens? E no teu coração? A pergunta que hoje devemos fazer é: qual é o ídolo que tens no teu coração, que tenho no meu coração? Aquela saída escondida onde me sinto bem, que me afasta do Deus vivo? E com a idolatria temos também uma atitude muito astuta: sabemos esconder os ídolos, como fez Raquel quando fugiu do seu pai, escondendo-os na sela do camelo e no meio das roupas. Também nós escondemos muitos ídolos nas dobras do nosso coração. A pergunta que gostaria de fazer hoje é: qual é o meu ídolo? Aquele meu ídolo da mundanidade… e a idolatria chega até à piedade, pois eles queriam o bezerro de ouro não para fazer um circo: não! Para adorar. “Prostraram-se diante dele”. A idolatria leva-te a uma religiosidade errada; aliás, muitas vezes a mundanidade, que é uma idolatria, faz-te mudar a celebração de um sacramento  numa festa mundana. Um exemplo: uma celebração de casamento. Já não sabemos se é um sacramento onde realmente os recém-casados dão tudo e se amam diante de Deus e prometem ser fiéis perante Deus e recebem a graça de Deus, ou se é um desfile de modelos, como uns e outros estão vestidos… a mundanidade. É uma idolatria. Este é um exemplo. Porque a idolatria não se detém: segue sempre adiante. A pergunta que hoje gostaria de fazer a todos nós, a todos, é: quais são os meus ídolos? Cada um tem os seus. Quais são os meus ídolos. Onde os escondo. E que o Senhor não nos encontre, no final da vida, e diga de cada um de nós: “Tu corrompeste-te. Tu afastaste-te do caminho que eu tinha indicado. Prostraste-te diante de um ídolo”. Peçamos ao Senhor a graça de conhecer os nossos ídolos. E se não conseguirmos eliminá-los, que pelo menos os deixemos de lado… Também diante do pecado dos outros faz-se necessário perguntar a quem queremos servir: às circunstâncias ou à verdade!”

Afinal a quem queremos servir? Eu digo como Josué: “Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor.” Porque só Ele tem palavras de vida eterna.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

MAIS RECENTES

III Domingo da Páscoa 2021

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro...

O dom maravilhoso do corpo

«Jesus, que venceu a morte e ressuscitou em corpo e alma, faz-nos entender que devemos ter uma ideia positiva do nosso corpo» No centro deste...

Eutanásia – Lei dos Homens vs. Lei de Deus

Na tentativa de me ajudar a advogar esta temática, invoquei Santo Ivo de Kermartin, santo católico padroeiro dos advogados. O que diria este santo...

II Domingo da Páscoa, ou da Divina Misericórdia 2021

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João Oito dias depois, veio Jesus... (Jo 20,19-31) Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas...

ARQUIVO

ARQUIVO (ÚLTIMOS NÚMEROS)