Segunda-feira, 19 Abril, 2021
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Guiar a nossa vida pelo Amor

«Levar a nossa vida não à procura das nossas vantagens e interesses, mas pela glória de Deus, que é o Amor»

O Evangelho de hoje apresenta, na versão de João, o episódio em que Jesus expulsa os vendilhões do templo de Jerusalém (cf. Jo 2,13-25). Ele fez este gesto com a ajuda de um chicote de cordas, virou as mesas e disse: «Não façais da casa do meu Pai uma casa de negociantes!» (v. 16). Esta ação decidida, realizada na proximidade da Páscoa, suscitou grande impressão na multidão e a hostilidade das autoridades religiosas e de quantos se sentiram ameaçados nos seus interesses económicos. Mas como a devemos interpretar? Sem dúvida, não era uma ação violenta, a ponto que não provocou a intervenção dos defensores da ordem pública, da polícia. Não! Mas foi entendida como uma ação típica dos profetas, que muitas vezes, em nome de Deus, denunciavam abusos e excessos. A questão que se apresentou era a da autoridade. Com efeito, os judeus perguntaram a Jesus: «Que sinal nos apresentas Tu, para procederes deste modo?» (v. 18), ou seja, que autoridade tens para fazer estas coisas? Como se exigissem a demonstração de que Ele agia verdadeiramente em nome de Deus.

Para interpretar este gesto de Jesus, de purificar a casa de Deus, os seus discípulos serviram-se de um texto bíblico tirado do Salmo 69: «O zelo pela tua casa consumir-me-á» (Jo 2,17); assim reza o Salmo: «O zelo pela tua casa consumir-me-á». Este Salmo é uma invocação de ajuda numa situação de perigo extremo, por causa do ódio dos inimigos: a situação que Jesus viverá na sua paixão. O zelo pelo Pai e pela sua casa levá-lo-á até à Cruz: o seu é o zelo de amor que leva ao sacrifício de si mesmo, não aquele falso, que tem a presunção de servir a Deus mediante a violência. Com efeito, o “sinal” que Jesus dará como prova da sua autoridade será precisamente a sua morte e ressurreição: «Destruí este templo — diz — e Eu voltarei a erguê-lo em três dias» (v. 19). E o evangelista comenta: «Ele falava do templo do seu corpo» (v. 21). Com a Páscoa de Jesus tem início o novo culto, no templo renovado, o culto do amor, e o novo templo é Ele mesmo.

A atitude de Jesus, narrada na hodierna página evangélica, exorta-nos a levar a nossa vida não à procura das nossas vantagens e interesses, mas pela glória de Deus, que é o Amor. Somos chamados a ter sempre presentes aquelas palavras incisivas de Jesus: «Não façais da casa do meu Pai uma casa de negociantes!» (v. 16). É muito desagradável quando a Igreja escorrega nesta atitude de transformar a casa de Deus num mercado. Estas palavras ajudam-nos a afastar o perigo de fazer também da nossa alma, que é a morada de Deus, um lugar de mercado, vivendo continuamente em busca da nossa vantagem, e não no amor generoso e solidário. Este ensinamento de Jesus é sempre atual, não apenas para as comunidades eclesiais, mas também para os indivíduos, para as comunidades civis e para a sociedade inteira. Com efeito, é comum a tentação de se aproveitar de atividades boas, às vezes necessárias, para cultivar interesses particulares, ou até ilícitos. É um perigo grave, especialmente quando instrumentaliza o próprio Deus e o culto que lhe é devido, ou então o serviço ao homem, Sua imagem. Por isso, naquela circunstância Jesus agiu de “maneira forte”, para nos despertar deste perigo mortal.

A Virgem Maria nos ampare no compromisso de fazer da Quaresma uma boa ocasião para reconhecer Deus como único Senhor da nossa vida, tirando do nosso coração e das nossas obras todas as formas de idolatria.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 4 de março de 2018

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