Domingo, 9 Maio, 2021
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Deus é maior que os nossos pecados

«Não vos esqueçais disto: Deus é maior do que as nossas debilidades, infidelidades e pecados. Assim, demos a mão ao Senhor, fitemos o Crucificado e vamos em frente!»

Neste quarto domingo de Quaresma, chamado domingo “laetare”, ou seja, “alegra-te”, porque assim reza a antífona de entrada da liturgia eucarística, que nos convida à alegria: «Alegra-te, Jerusalém […] — deste modo, é uma chamada à alegria — exultai e rejubilai, vós que vivíeis na tristeza». Assim começa a Missa. Qual é a razão deste júbilo? O motivo é o grande amor de Deus pela humanidade, como nos indica o Evangelho de hoje: «Com efeito, Deus amou o mundo de tal modo, que lhe deu o seu único Filho, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3,16). Estas palavras, pronunciadas por Jesus durante o diálogo com Nicodemos, resumem um tema que está no cerne do anúncio cristão: até quando a situação parece desesperada, Deus intervém, oferecendo ao homem a salvação e a alegria. Com efeito, Deus não permanece à parte, mas entra na história da humanidade, “mistura-se” na nossa vida, entra, para a animar com a sua graça e para a salvar.

Somos chamados a prestar ouvidos a este anúncio, rejeitando a tentação de nos considerarmos seguros de nós mesmos, de desejar renunciar a Deus, reivindicando uma liberdade absoluta dele e da sua Palavra. Quando encontramos a coragem de nos reconhecermos por aquilo que somos — é preciso ter coragem para isto! — compreendemos que somos pessoas chamadas a fazer as contas com a nossa fragilidade e com os nossos limites. Então, pode acontecer que sejamos levados pela angústia, pela inquietação em relação ao futuro, pelo medo da doença e da morte. Isto explica por que razão tantas pessoas, procurando uma saída, por vezes tomam atalhos perigosos, como, por exemplo, o túnel da droga, ou aquele das superstições, ou de ruinosos rituais de magia. É bom conhecer os próprios limites, as nossas fragilidades; devemos conhecê-los, e não para nos desesperarmos, mas para os oferecermos ao Senhor; e Ele ajuda-nos no caminho da cura, pega-nos pela mão e nunca nos deixa sozinhos, nunca! Deus está connosco, e é por isso que hoje me “alegro”, que nos “alegramos”: «Alegra-te, Jerusalém», diz, porque Deus está connosco.

E nós temos a verdadeira e grande esperança em Deus Pai, rico de misericórdia, que nos ofereceu o Seu Filho para nos salvar, e esta é a nossa alegria. Temos também muitas tristezas, mas quando somos verdadeiros cristãos, temos aquela esperança, a qual é uma pequena alegria que cresce e nos dá segurança. Não devemos desanimar quando vemos os nossos limites, os nossos pecados, as nossas debilidades: Deus está aí perto, Jesus está na Cruz para nos curar. Nisto consiste o amor de Deus. Fitemos o Crucificado e digamos interiormente: “Deus ama-me”. É verdade, existem estes limites, estas debilidades, estes pecados, mas Ele é maior do que os limites, as debilidades e os pecados. Não vos esqueçais disto: Deus é maior do que as nossas debilidades, infidelidades e pecados. Assim, demos a mão ao Senhor, fitemos o Crucificado e vamos em frente!

Maria, Mãe de misericórdia, infunda no nosso coração a certeza de que somos amados por Deus. Permaneça perto de nós nos momentos em que nos sentimos sós, quando somos tentados a render-nos às dificuldades da vida. Que Ela nos comunique os sentimentos do seu Filho Jesus, para que o nosso caminho quaresmal se torne experiência de perdão, de acolhimento e de caridade!

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 11 de março de de 2018

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