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Fé, surpresa, pressa — e eu?

«João e Pedro foram à pressa ao sepulcro. E eu, hoje, nesta Páscoa, o que faço? E tu, o que fazes?»

Depois da escuta da Palavra de Deus, deste trecho do Evangelho [Jo 20,1-9], quero dizer três coisas.

Primeiro: o anúncio. Está ali um anúncio, o Senhor ressuscitou! Aquele anúncio que, desde os primeiros tempos dos cristãos, corria de boca em boca; era a saudação: o Senhor ressuscitou! E as mulheres, que foram ungir o Corpo do Senhor, depararam-se com uma surpresa. A surpresa… Os anúncios de Deus são sempre surpresas, porque o nosso Deus é o Deus das surpresas. Foi assim desde o início da história da salvação, desde o nosso pai Abraão, Deus surpreende-te: «Mas vai, vai, deixa, parte da tua terra e vai». E há sempre uma surpresa atrás da outra. Deus não sabe fazer um anúncio sem te surpreender. E a surpresa é aquilo que comove o teu coração, que te toca precisamente ali, onde não esperas. Usando a linguagem dos jovens, a surpresa é um golpe baixo; não a esperas. E Ele vem e comove-te. Primeiro: o anúncio que se torna surpresa.

Segundo: a pressa. As mulheres correm, vão à pressa e dizem: «Mas encontramos isto!». As surpresas de Deus põem-nos a caminho, imediatamente, sem esperar. E assim correm para ver. E Pedro e João correm. Os pastores, naquela noite de Natal, correm: «Vamos a Belém, para ver aquilo que nos disseram os anjos». E a Samaritana corre para dizer à sua gente: «Esta é uma novidade: encontrei um homem que me disse tudo o que eu fiz». E as pessoas sabiam o que ela tinha feito. E aquelas pessoas correm, deixam o que estão a fazer, até a dona de casa deixa as batatas na panela — encontrá-las-á queimadas — mas o importante é ir, correr, para ver aquela surpresa, aquele anúncio. Também hoje acontece. Nos nossos bairros, nos povoados, quando acontece algo extraordinário, as pessoas correm para ver. Ir depressa. André não perdeu tempo e, à pressa, foi ter com Pedro para lhe dizer: «Encontramos o Messias». As surpresas, as boas notícias, dão-se sempre assim: depressa. No Evangelho há alguém que hesita; não quer arriscar. Mas o Senhor é bom, espera por ele com amor, é Tomé. «Acreditarei quando vir as chagas», diz. O Senhor tem paciência também com quantos não vão com muita pressa.

O anúncio-surpresa, a resposta apressada e a terceira coisa que gostaria de vos dizer hoje é uma pergunta: e eu? Tenho o coração aberto às surpresas de Deus, sou capaz de ir apressadamente ou estou sempre com aquela choradeira: «Mas, verei amanhã, amanhã, amanhã?» O que me diz a surpresa? João e Pedro foram à pressa ao sepulcro. De João, o Evangelho diz-nos: “Acreditou”. Também de Pedro: “Acreditou”, mas à sua maneira, com uma fé misturada a remorso por ter renegado o Senhor. O anúncio que se faz surpresa, a corrida, ir à pressa, e a pergunta: e eu, hoje, nesta Páscoa, o que faço? E tu, o que fazes?

Papa Francisco, Homilia, Praça São Pedro, 1 de abril de 2018

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