Sexta-feira, 24 Setembro, 2021
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Saciar a fome de infinito

«Para Jesus não é suficiente que as pessoas o procurem, Ele quer que elas o conheçam»

Nestes últimos domingos, a liturgia mostrou-nos a imagem cheia de ternura de Jesus que vai ao encontro das multidões e das suas necessidades. Na narração evangélica de hoje (cf. Jo 6,24-35), a perspetiva muda: é a multidão, saciada por Jesus, que se põe novamente em busca d’Ele, vai ao encontro de Jesus. Mas para Jesus não é suficiente que as pessoas o procurem, Ele quer que elas o conheçam; quer que a busca d’Ele e o encontro com Ele vão além da satisfação imediata das necessidades materiais. Jesus veio para nos trazer algo mais, para abrir a nossa existência a um horizonte mais vasto em relação às preocupações quotidianas do alimentar-se, do vestir-se, da carreira, e assim por diante. Por isso, dirigindo-se à multidão, exclama: «Buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados» (v. 26). Assim estimula as pessoas a dar um passo em frente, a interrogar-se sobre o significado do milagre, e não apenas a aproveitar-se dele. Com efeito, a multiplicação dos pães e dos peixes é sinal do grande dom que o Pai concedeu à humanidade e que é o próprio Jesus!

Ele, verdadeiro «Pão da Vida» (v. 35), deseja saciar não só os corpos, mas também as almas, oferecendo o alimento espiritual que pode satisfazer a fome profunda. Por isso, convida a multidão a procurar não o alimento que perece, mas aquele que permanece para a vida eterna (cf. v. 27). Trata-se de um alimento que Jesus nos concede todos os dias: a sua Palavra, o seu Corpo, o seu Sangue. A multidão ouve o convite do Senhor, mas não compreende o seu sentido — como acontece muitas vezes também connosco — e pergunta-lhe: «Que devemos fazer para praticar as obras de Deus?» (v. 28). Os ouvintes de Jesus pensam que Ele lhes pede a observância dos preceitos para obter outros milagres, como o da multiplicação dos pães. Trata-se de uma tentação comum de reduzir a religião unicamente à prática das leis, projetando na nossa relação com Deus a imagem do relacionamento entre os servos e o seu senhor: para obter a sua benevolência, os servos devem cumprir as tarefas que o patrão atribuiu. Todos nós sabemos isto. Por esta razão, a multidão quer saber de Jesus quais são as ações que deve realizar para agradar a Deus. Mas Jesus dá uma resposta inesperada: «A obra de Deus é esta: que acrediteis naquele que Ele enviou» (v. 29). Hoje, estas palavras são dirigidas também a nós: a obra de Deus não consiste tanto em “fazer” coisas, mas em “acreditar” n’Aquele que Ele enviou. Isto significa que a fé em Jesus nos permite cumprir as obras de Deus. Se nos deixarmos arrebatar por esta relação de amor e de confiança com Jesus, seremos capazes de realizar boas obras que têm o perfume do Evangelho, para o bem e as necessidades dos irmãos.

O Senhor convida-nos a não esquecer que, se é necessário preocupar-nos com o pão, é ainda mais importante cultivar a relação com Ele, fortalecer a nossa fé n’Ele que é o «Pão da Vida», que veio para saciar a nossa fome de verdade, a nossa fome de justiça, a nossa fome de amor.

No dia em que recordamos a dedicação da Basílica de Santa Maria Maior em Roma à Virgem Maria, a Salus populi romani, nos ampare no nosso caminho de fé e nos ajude a abandonar-nos com alegria ao desígnio de Deus sobre a nossa vida.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 5 de agosto de 2018

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