Quinta-feira, 21 Outubro, 2021
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Em jeito de avaliação

O final do mês de Junho traz consigo o final de mais um ano pastoral, e o ano de 2019-2020 terá sido talvez um dos mais desafiantes que desde há muito tempo enfrentou a humanidade no seu conjunto.

Dizemos isto não por este ano ter apresentado um rol de desastres de alguma forma superior a qualquer outro dos anos passados — afinal, não seremos todos, desde sempre, náufragos deste grande oceano, aguardando nas trevas, como São Pedro, a mão de Jesus? Dizemo‑lo porque as dificuldades com que nos deparámos e o contexto em que tivemos de as ir superando talvez não tenham paralelo na nossa memória colectiva.

A história dos eventos recentes será, sem dúvida, objecto de intensa reflexão e debate nos próximos tempos, mas isso, na nossa pequena escala, ultrapassa-nos ao largo. Interessa-nos, isso sim, avaliar como a nossa pequena comunidade soube enfrentar as dificuldades que surgiram e encontrou forma de não esmorecer perante a reclusão forçada a que todos nós, quase sem excepção, fomos obrigados.

Em primeiro lugar, caberá uma palavra de apreço aos nossos sacerdotes do Sagrado Coração de Maria. Sem dúvida, o seu labor missionário conseguiu nestes dias sombrios encontrar a melhor forma de mostrar o seu abundante fruto. O empenho diário que colocam na germinação de iniciativas autónomas nas comunidades que acompanham permitiu que cada um dos seus paroquianos procurasse por si mesmo encarnar a força do Verbo para se elevar do abismo de trevas e silêncio para o qual parecia definitivamente empurrado.

Foi esse labor o verdadeiro fermento da actividade dos inúmeros grupos que, em todas as valências, mantiveram a comunidade coesa e forte, unindo os seus membros como autênticos irmãos — não só no aspecto litúrgico, em que se conseguiu assegurar um “serviço mínimo” nas celebrações comunitárias, mas também nas catequeses, tanto de crianças e jovens como na de adultos, que não só preservaram como aprofundaram (!) os laços que tinham criado. Talvez não seja muito atrevido dizer que, entre nós, esta crise se revestiu essencialmente de factores positivos!

Do ponto de vista assistencial, a despeito das colossais dificuldades que enfrentaram as nossas instituições, foi igualmente possível manter um nível de prontidão assinalável, de forma a não deixar sem resposta nenhuma solicitação de ajuda.

É possível que muitos tenham alguma história para contar sobre os eventos destes dias que ainda não se encontram completamente para trás, e embora este boletim entre em férias precisamente depois da saída deste número, gostaria de aqui lançar o apelo para que não deixem perder a oportunidade de partilhar as experiências de uma situação de emergência cujas lições são altamente valiosas para o futuro de todos. A partir de Setembro, muita alegria nos daria ter para publicar algumas pistas sobre como se foram resolvendo alguns dos problemas que a todos preocuparam.

Acabei de referir que com este número o boletim entra em férias até ao próximo mês de Setembro. É, portanto, tempo de apresentarmos um pequeno balanço do que por aqui foi ocorrendo. Dentro da nossa mínima escala, cabe-nos alegrar por ter sido possível recrutar este ano as novas e valiosas colaborações da Daniela Cruz, promissora jurista particularmente empenhada em unir o direito e a justiça, do António Cunha, criador de inspiradas orações a partir da leitura das Escrituras, e do próprio Pe. Maia, que nos passou a dar “uma mão” nos bastidores. A Maria Campos também nos ofereceu no n.º 247 um primeiro testemunho sobre a sua actividade no grupo 3A, que noutra coluna nos merece renovado destaque. Aqui deixamos a todos o nosso agradecimento, com a clara consciência de que o maior desafio que continuamos a ter pela frente é o de nos transformarmos num veículo de tudo quanto se vai quotidianamente passando na nossa paróquia.

De entre os colaboradores veteranos, não poderia deixar de registar o particular empenho da Margarida Alves, a nossa “crónica viva”, que muitas vezes coloca o seu sossego e até a sua saúde em segundo lugar para nos trazer a clarividência de um ponto de vista muito mais abrangente. Ao espírito dinâmico do José Pedro um igual obrigado. Entre incontáveis solicitações familiares e profissionais, não deixa de estar entre os primeiros no que respeita à entrega às necessidades da paróquia. Além do generoso trabalho na catequese de adultos, é aqui responsável pelos textos do seu — e nosso! — querido Papa Francisco.

Como os últimos são os primeiros, segue finalmente um grande abraço para o Pe. Diz, nosso pároco, ao qual cabe o inestimável envio dos comentários aos textos litúrgicos.

Com meios escassos, procurámos aqui no boletim dar resposta às particulares solicitações que este ano tão atípico apresentou à nossa comunidade. Temos consciência de que as novas tecnologias e a fácil comunicação à distância nos trouxeram instrumentos importantes — quem sabe, mesmo indispensáveis — para minorar os terríveis efeitos de um isolamento tão necessário quanto imposto. Não devemos, contudo, confundir os meios com os fins. Viver no Caminho de Jesus é estar ao lado do irmão e dar-lhe a mão quando ele precisa. Infelizmente, muitos de nós vivem silenciosamente um quotidiano confinado para o qual o único remédio é mesmo aquela mão de Jesus que só nos pode trazer fisicamente o irmão. Preservando as condições de higiene, segurança sanitária e distanciamento social, é tempo de os cristãos darem de novo o exemplo, saindo ordeiramente para a rua.

Boas férias, sempre em acção!

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