Quinta-feira, 21 Outubro, 2021
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Férias em tempo de pandemia…

… e a certeza de que temos uma Mãe!

As férias são sempre uma justa recompensa para quem trabalha, e eu desejo a todos os nossos leitores — bem como a todos quantos não nos conhecem! — umas férias pelo menos com saúde, sem medo e com esperança. Podemos aqui lembrar o nosso Papa Francisco, que nos anima sempre com as suas mensagens: “A esperança é um risco, uma virtude, como diz São Paulo, de uma expectativa fervorosa pela revelação do Filho de Deus. Não é uma ilusão”. “É uma virtude que nunca desilude: se esperares, nunca serás desiludido”, é uma virtude concreta, “de todos os dias, porque é um encontro. E todas as vezes que encontramos Jesus na Eucaristia, na oração, no Evangelho, nos pobres, na vida comunitária, damos mais um passo em direção a este encontro definitivo.” “A esperança precisa de paciência, assim como é necessário ter esperança para ver crescer a semente de mostarda. É a paciência de saber que nós semeamos, mas é Deus que faz crescer”. As nossas férias não podem ser de gastos supérfluos nem de falta de cuidados em relação a esta terrível epidemia, mas sim de solidariedade para quem e mais sofre, com quem passa fome e pelos que, com risco da própria vida, tratam os doentes. Não nos descuidemos satisfazendo caprichos e egoísmos, mas pensemos um pouco mais nos outros. Sentiremos no coração um bem-estar que talvez nem acreditemos!

Este ano, a celebração da Peregrinação Aniversaria de Junho em Fátima, já com algumas pessoas no recinto, foi presidida por D. Américo Aguiar, bispo auxiliar de Lisboa. Vale a pena lembrar a sua homilia, na qual afirmou que a crise provocada pela pandemia do Covid-19 e as suas consequências económicas devem levar à mobilização solidária dos católicos: “Não podemos abandonar o nosso próximo. Estejamos juntos no combate a esta pandemia e transformemos a sua inevitabilidade numa oportunidade: que cada pessoa seja mais humana e os cristãos mais autênticos. Nenhum de nós, crente ou não crente, pode dormir descansado se sabe que à sua beira existe uma família que passa fome.” Este alto responsável católico destacou a urgência de “dar de comer a quem tem fome”, porque “os pobres não podem esperar”: “A falta de alimento significa quase sempre falta de emprego e as consequências estão à vista de todos”. “Nunca nos esqueçamos: o maior poder que a Igreja tem chama-se caridade”, acrescentou. Li algures algo que gostaria de partilhar convosco porque me pareceu importante: ”Habituámo-nos a avançar a toda a velocidade, sentindo-nos fortes e capazes de tudo. Ávidos de lucro, deixámos que as coisas materiais nos absorvessem e a pressa transtornou-nos. Esta tempestade veio desmascarar a nossa vulnerabilidade e deixar a descoberto as falsas seguranças. Damo-nos agora conta de estarmos todos no mesmo barco, todos frágeis e desorientados, mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos necessitados de encorajamento mútuo”.

D. Américo Aguiar na Peregrinação Aniversária de Fátima em 13 de Junho de 2020

No final da homilia que proferiu perante o reduzido número de fiéis presentes no recinto do Santuário, D. Américo Aguiar assegurou a todos que “temos Mãe” e terminou com uma oração a Nossa Senhora de Fátima em que incluiu os jovens e os idosos, os mais fracos e os desempregados, os refugiados e as vítimas da injustiça, os emigrantes, os que perderam a esperança, “todos os heróis anónimos no combate ao Covid-19”, “todos os filhos que perderam a sua mãe” e “todas as mães que perderam os seus filhos”. Os efeitos da pandemia e o valor dos pequenos gestos obrigam a uma solidariedade reforçada, e D. Américo Aguiar afirmou igualmente que “uma das grandes lições que a humanidade aprendeu com o Covid-19 é que os nossos pequenos gestos podem ter uma consequência não só em relação a quem está próximo, mas também comunitária e até mesmo universal. Perante isto, todos teremos de reaprender a «gramática da hospitalidade»: somos responsáveis pela saúde, o bem‑estar, a alegria e a salvação dos outros!” Para o bispo auxiliar de Lisboa, esta responsabilidade desafia a própria União Europeia, que “terá de perceber que já não basta ser aquela original comunidade económica e política, mas terá de dar o passo seguinte: ser uma verdadeira comunidade humana, mais hospitaleira, determinada no combate solidário às consequências económicas e sociais desta pandemia, decidida no acolhimento de todos e apostada no respeito pela casa comum que todos habitamos”.

D. Américo Aguiar deixou um apelo para que “a solidariedade europeia não seja uma urgência pandémica mas uma marca da sua identidade! Que a ajuda entre povos e países europeus não resulte do medo provocado por um vírus, mas seja um ímpeto do humanismo e da matriz cristã que caracterizam o velho continente”, pois só deste modo se pode assegurar “o nosso futuro e o das gerações vindouras, feito cada vez mais do encontro entre povos, culturas e religiões”.

Não serão palavras fáceis de ouvir, mas não as podemos ignorar. Finalmente, gostaria de agradecer a todos os que com o seu esforço e dedicação tornaram este boletim Pedras Vivas uma realidade. O esforço não é ligeiro, mas fica dentro de nós uma alegria que é a de ter cumprido a tarefa que nos confiaram. Que a Mãe das mães e seu Filho Jesus a todos confortem e a todos animem. Como dizia São. Paulo: “Eu tudo posso naquele que me fortalece”!

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