Quinta-feira, 21 Outubro, 2021
Inicio Artigos Editorial Preparar o regresso

Preparar o regresso

Atenção e vigilância. É este o mote com que somos neste ano de 2020 chamados a iniciar a preparação para o Natal do Senhor. Trata-se, sem a menor dúvida, de uma advertência particularmente ajustada ao tempo que nos está a ser dado viver.

O ambiente sombrio que nos envolve desde há vários meses não dá mostra de se vir a dissipar tão cedo, e são muito diversas as áreas em que se faz sentir. Embora a calamidade pandémica continue a reclamar as parangonas da imprensa, os problemas de saúde pública começam a multiplicar-se e a atingir todos aqueles que se vêem privados dos cuidados urgentes que necessitam. E ainda que muitos hospitais se encontrem já no limite das suas capacidades, urge lembrar todos os diagósticos precoces que estão a deixar de se fazer.

Com um bom número de sectores económicos praticamente inactivos e outros com quebras de facturação inauditas, desenha-se uma conjuntura extremamente difícil para muitas famílias com rendimentos precários e para todas as micro e pequenas empresas com limitações no acesso ao crédito. Agravando a situação, a proverbial inoperância das instituições europeias não parece deixar adivinhar nos tempos mais próximos uma solução determinada para os problemas que se estão a acumular.

Os contextos adversos não são, porém, nada de estranho para nós, cristãos. Em boa verdade, fazem parte da nossa matriz estes cadinhos de adversidades que parecem não deixar antever nada de bom. Com efeito, podemos dizer até que é neles que se forma aquele caldo primordial necessário para a eclosão de toda a vida espiritual.

Estamos, portanto, perante o cenário perfeito para uma renovada caminhada de Jesus entre nós. Só é preciso que lhe preparemos o caminho, e é aí, então, que se afiguram necessárias a atenção e a vigilância de que nos fala o Evangelho de hoje.

Enquanto cristãos, não nos é pedido nada demais. Lembremo-nos sempre que Jesus nunca nos pede nada demais, senão aquilo que podemos. Para nós, dar é sempre o excesso. Atenção e vigilância, então, para a menor situação em que há uma falta, porque se vão multiplicando as faltas nos dias de hoje, nesta sociedade que se está a deixar cindir pelo egoísmo, pela ganância e por uma espécie de justicialismo das respectivas vítimas, que ergue da poeira dos tempos o abominável desejo de represália e violência que acabou por contaminar os primeiros séculos (Gn 4,23).

Aquilo que de mais raro têm os cristãos em abundância perene é, precisamente, o Amor e o Perdão. Preparemo-nos durante os próximos dias, portanto, para os distribuir sem a menor parcimónia, começando em particular pelos que nos estão mais próximos. Um sorriso e uma palavra amiga são o tesouro que promete maior dividendo ao nascer do Sol em cada dia.

Também este vosso boletim se prepara para o novo contexto social que se avizinha. Também deste lado procuramos responder à falta de proximidade que corre o risco de nos sufocar num ambiente tão asséptico quanto apático e estéril. Em consequência, damos aqui os primeiros passos para uma nova versão do “jornal” em formato integralmente electrónico, pedindo desde já aos nossos leitores aquela benevolência conveniente aos neófitos que se arriscam a tropeçar sem sequer saber porquê.

“A Graça do Senhor esteja convosco!”

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

MAIS RECENTES

XVIII Domingo do Tempo Comum

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João Quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede (Jo 6,24-35) Naquele...

Saciar a fome de infinito

«Para Jesus não é suficiente que as pessoas o procurem, Ele quer que elas o conheçam» Nestes últimos domingos, a liturgia mostrou-nos a imagem cheia...

XVII Domingo do Tempo Comum

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João Distribuiu-os e comeram quanto quiseram (Jo 6,1-15) Naquele tempo, Jesus partiu para o outro lado do mar da Galileia, ou...

Para que nada se perca!

«O Evangelho convida-nos a permanecer disponíveis e laboriosos, como aquele jovem que se dá conta de que tem cinco pães, e diz: “Ofereço isto,...

ARQUIVO

ARQUIVO (ÚLTIMOS NÚMEROS)