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Tempo de preencher vazios

Comentário do Papa no 2.º Domingo do Advento, ano B

«O Advento é um tempo para reconhecer os vazios a serem preenchidos na nossa vida; é o tempo favorável para rezar com mais intensidade e estar mais atentos às necessidades dos outros, mais próximos.»

No domingo passado iniciámos o Advento com o convite a vigiar: hoje, segundo domingo deste tempo de preparação para o Natal, a liturgia indica-nos os seus conteúdos específicos: é um tempo para reconhecer os vazios a serem preenchidos na nossa vida, para aplainar as asperezas do orgulho e dar espaço a Jesus que vem.

O profeta Isaías dirige-se ao povo, anunciando o fim do exílio na Babilónia e o regresso a Jerusalém. Ele profetiza: «Uma voz clama: “Preparai no deserto um caminho para o Senhor […], todo o vale seja alterado”» (Is 40,3-4). Os vales a serem alterados representam todos os vazios do nosso comportamento diante de Deus, todos os nossos pecados de omissão. Um vazio na nossa vida pode ser o facto de não rezarmos ou de rezarmos pouco. Portanto, o Advento é o tempo favorável para rezar com mais intensidade, para reservar à vida espiritual o lugar importante que lhe compete. Outro vazio poderia ser a falta de caridade para com o próximo, sobretudo para com as pessoas mais necessitadas de ajuda, não só material mas também espiritual. Somos chamados a estar mais atentos às necessidades dos outros, mais próximos. Como João Batista, deste modo podemos abrir caminhos de esperança no deserto dos corações áridos de tantas pessoas.

«Toda a colina e toda a montanha sejam abaixadas» (Is 4), exorta ainda Isaías. Os montes e as colinas que devem ser abaixadas são o orgulho, a soberba, a prepotência. Onde há orgulho, onde há prepotência, onde há soberba o Senhor não pode entrar porque aquele coração está cheio de orgulho, de prepotência, de soberba. Por isso, devemos abaixar este orgulho. Devemos assumir atitudes de mansidão e de humildade, sem gritar, ouvir, falar com mansidão para preparar assim a vinda do nosso Salvador, Ele que é manso e humilde de coração (cf. Mt 11,29). Depois é-nos pedido para eliminar todos os obstáculos que levantamos contra a nossa união com o Senhor: «todos os cumes sejam aplainados e todos os terrenos escarpados sejam nivelados! Então a glória de Deus — diz Isaías — manifestar-se-á e todas as criaturas juntamente a verão» (Is 40,4-5). Mas estas ações devem ser realizadas com alegria, porque se destinam à preparação da chegada de Jesus. Quando esperamos em casa a visita de uma pessoa querida, predispomos tudo com esmero e felicidade. Ao mesmo tempo, queremos predispor-nos para a vinda do Senhor: esperar todos os dias com solicitude, para sermos preenchidos com a sua graça quando ele vier.

O Salvador que aguardamos é capaz de transformar a nossa vida com a sua graça, com a força do Espírito Santo, com a força do amor. Com efeito, o Espírito Santo derrama nos nossos corações o amor de Deus, fonte inexaurível de purificação, de vida nova e de liberdade. A Virgem Maria viveu em plenitude esta realidade, deixando-se “batizar” pelo Espírito Santo que a inundou com o seu poder. Ela, que preparou a vinda de Cristo com a totalidade da sua existência, nos ajude a seguir o seu exemplo e guie os nossos passos ao encontro do Senhor que vem.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 10 de dezembro de 2017

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