Segunda-feira, 19 Abril, 2021
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Para dar testemunho da Luz

Avizinhamo-nos a passos largos do final deste difícil ano de 2020. Mas para nós, cristãos, o encerrar de mais um ciclo solar não traz um mero tempo de balanço nem de lamentação pelas mágoas e mazelas que nos ficaram de mais uma jornada pelas veredas do mundo.

Para nós que seguimos Jesus, o final de uma jornada traz-nos sobretudo razões de celebração. Não por quaisquer coisas que tenhamos deixado para trás, mas pela Renovação, pelo Renascimento e pela Nova Vida que Ele nos prepara.

O Advento é, portanto, preparação para a grande festa do Natal, preparação para tudo quanto de Além uma nova caminhada ao lado de Jesus nos há-de trazer.

Nós, o Povo de Deus, somos aquele povo para o qual não há fim. Ou melhor, para o qual o Fim está sempre associado a uma Ressurreição. Assim, o final de um ano civil não representa para nós nada mais senão o futuro de uma renovada Fé em Jesus.

Para nós, estas palavras não são sequer novidade nenhuma. Se calhar, até se afiguram banais e repetitivas. Conhecemo-las e sentimo-las tão de cor e tão dentro de nós que parece mesmo supérfluo insistir nelas com tanta rotina.

Contudo, aquilo a que por vezes não prestamos suficiente atenção é à forma como as outras pessoas sentem de forma tão diferente de nós. Não se trata simplesmente de viver ou agir de forma diferente, mas de ver ou sentir uma realidade que é “outra”. É o facto de se moverem num mundo que é experimentado e interpretado sob uma perspectiva que quase nada tem em comum com a “nossa”.

Assim, depois de um ano de tão grandes dificuldades, e antecipando desde logo um outro de maiores provações ainda, muitas destas pessoas encontram-se prestes a soçobrar no desânimo, na angústia, na depressão.

Ora, é neste contraste que a mensagem de Jesus que guardamos no nosso coração se torna muito mais clara e adquire em plenitude a sua relevância: somos nós, cristãos, a luz do mundo. O nosso Natal não pode deixar, portanto, de ser uma luz para o mundo, para os outros, sobretudo aqueles que, sem fé, se encontram prestes a cair.

Este ano em que iremos celebrar o “nosso” Natal em casa e em que, provavelmente, as comunidades terão de afrouxar muitas das atividades de solidariedade habituais, não podemos permitir que a nossa celebração se multiplique em festas privadas ou pomposas cerimónias para consumo doméstico. Este ano, terá de caber a cada uma das nossas famílias levar um pouco de luz àqueles lares em que ela brilha de forma mais ténue.

Como Jesus não nos pede proselitismo mas sim alguma atenção, não será com discursos piedosos que poderemos reavivar o fogo nos corações mais quebrados, mas com um pouco de amparo, um gesto simpático ou uma atenção invulgar. Quais serão os nossos vizinhos que estarão mais vulneráveis? Não teremos reparado em alguém mais carente?

Não se trata de lhes levar uma esmola ou uma declaração de boas intenções. Aquilo de que se trata é de lembrar a quem precisa que não vivemos num “mundo cruel”, mas que o Espírito Santo está vivo e actuante em cada um de nós.

É sobretudo essa mensagem que temos de deixar bem vincada — não somos nós a origem do Bem que levamos, é o Espírito Santo que está em todos através de Jesus a verdadeira fonte de todo o Amor.

E cada um não é mais que um pequenino elo nessa grande corrente de Amor que precisa urgentemente crescer.

O futuro depende disso. De cada um. Em primeiro lugar, de nós.

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