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Como chegar a Jesus?

«São estas as três atitudes que encontramos
no Evangelho: busca amorosa, dos Magos; indiferença, dos sumos sacerdotes, dos escribas e daqueles que conheciam a teologia; e medo, de Herodes. Também nós podemos pensar e escolher: qual das três assumir?»

Hoje, festa da Epifania do Senhor, o Evangelho (cf. Mt 2,1-12) apresenta-nos três atitudes com as quais foram acolhidas a vinda de Cristo Jesus e a sua manifestação ao mundo. A primeira atitude: busca, busca amorosa; a segunda: indiferença; a terceira: medo.

Busca amorosa: os Magos não hesitam em pôr-se a caminho para procurar o Messias. Tendo chegado a Jerusalém perguntam: «Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo» (v. 2). Fizeram uma longa viagem, e agora, com grande solicitude, procuram encontrar onde pode estar o Rei recém-nascido. Em Jerusalém dirigem-se ao rei Herodes, o qual pede aos sumos sacerdotes e aos escribas para se informarem acerca do lugar onde iria nascer o Messias.

A esta busca amorosa dos Magos, contrapõe-se a segunda atitude: a indiferença dos sumos sacerdotes e dos escribas. Estes não se incomodavam. Conheciam as Escrituras e eram capazes de dar a resposta certa sobre o lugar do nascimento: «Em Belém de Judeia; porque assim está escrito pelo profeta» (v. 5); sabem, mas não se dão ao trabalho de ir visitar o Messias. E Belém está à distância de poucos quilómetros, mas eles não se movem.

Ainda mais negativa é a terceira atitude, a de Herodes: o medo. Ele tem medo que aquele Menino o prive do poder. Chama os Magos para que lhe digam quando lhes apareceu a estrela, e envia-os a Belém dizendo: «Ide, e perguntai […] pelo menino e, quando o achardes, participai-mo, para que também eu vá e o adore» (vv. 7-8). Na realidade, Herodes não queria ir adorar Jesus; Herodes quer saber onde se encontra o menino não para o adorar, mas para o eliminar, porque o considera um rival. E reparai bem: o medo leva sempre à hipocrisia. Os hipócritas são assim porque têm o medo no coração.

São estas as três atitudes que encontramos no Evangelho: busca amorosa dos Magos; indiferença dos sumos sacerdotes, dos escribas, daqueles que conheciam a teologia; e medo, de Herodes. E também nós podemos pensar e escolher: qual das três assumir? Quero ir com solicitude ao encontro de Jesus? “Mas a mim Jesus não diz nada… fico tranquilo…” Ou tenho medo de Jesus e no meu coração gostaria de o eliminar?

O egoísmo pode induzir a considerar a vinda de Jesus na própria vida como uma ameaça. Procura-se então suprimir ou fazer silenciar a mensagem de Jesus. Quando se seguem as ambições humanas, as perspectivas mais confortáveis, as inclinações do mal, Jesus é sentido como um obstáculo.

Por outro lado, está sempre presente também a tentação da indiferença. Mesmo sabendo que Jesus é o Salvador — nosso, de todos nós — prefere-se viver como se ele o não fosse: em vez de se comportar em coerência com a própria fé cristã, seguem-se os princípios do mundo, que induzem a satisfazer as inclinações à prepotência, à sede de poder, às riquezas.

Ao contrário, somos chamados a seguir o exemplo dos Magos: ser amorosos na busca, prontos a incomodarmo-nos para encontrar Jesus na nossa vida. Procurá-lo para o adorar, para reconhecer que Ele é o nosso Senhor, Aquele que indica o verdadeiro caminho a seguir. Se tivermos esta atitude, Jesus realmente nos salva, e nós podemos viver uma vida bela, podemos crescer na fé, na esperança, na caridade em relação a Deus e aos nossos irmãos.

Invoquemos a intercessão de Maria Santíssima, estrela da humanidade peregrina no tempo. Com a sua ajuda materna, possa cada homem chegar a Cristo, Luz de verdade, e o mundo progredir pelo caminho da justiça e da paz.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 6 de janeiro de 2018

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